{"id":5094,"date":"2025-06-19T09:18:04","date_gmt":"2025-06-19T12:18:04","guid":{"rendered":"https:\/\/brafip.org.br\/brafip\/?p=5094"},"modified":"2025-06-19T09:18:06","modified_gmt":"2025-06-19T12:18:06","slug":"a-guerra-digital-como-a-ia-mudou-radicalmente-a-forma-das-guerras-atuais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/brafip.org.br\/brafip\/2025\/06\/19\/a-guerra-digital-como-a-ia-mudou-radicalmente-a-forma-das-guerras-atuais\/","title":{"rendered":"A \u201cGuerra Digital\u201d: Como a IA \u201cmudou\u201d radicalmente, a \u201cforma\u201d das Guerras atuais"},"content":{"rendered":"\n<p>Nos dois principais conflitos atuais, a IA (Intelig\u00eancia Artificial) deixou de ser \u201cmero recurso experimental\u201d para se tornar um elemento central nas opera\u00e7\u00f5es militares, especialmente por aumentar e muito, a \u201cvelocidade\u201d na tomada de decis\u00f5es, fator primordial para o sucesso de uma opera\u00e7\u00e3o militar. Na guerra entre R\u00fassia e Ucr\u00e2nia e no embate entre Ir\u00e3 e Israel, o uso de tecnologias aut\u00f4nomas e assistidas por IA, tem redefinido estrat\u00e9gias e levantado intensos debates t\u00e9cnicos e \u00e9ticos. Atualmente, a \u201cIA j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 apenas uma ferramenta auxiliar, mas um componente central na doutrina de muitas for\u00e7as armadas\u201d. Mas isso n\u00e3o come\u00e7ou agora. Desde os prim\u00f3rdios da inform\u00e1tica, as for\u00e7as armadas buscaram incorporar tecnologias ligadas a este segmento, para obter vantagens t\u00e1ticas e estrat\u00e9gicas. Durante a Segunda Guerra Mundial, os militares dos Estados Unidos empregaram o&nbsp;<em>ENIAC<\/em>&nbsp;(<em>Electronic Numerical Integrator and Computer&nbsp;<\/em>\u2013 \u201cIntegrador Num\u00e9rico Eletr\u00f4nico e Computador\u201d), \u201cconsiderado o primeiro computador eletr\u00f4nico de grande escala\u201d. Desenvolvido em 1943 e inicialmente utilizado para calcular trajet\u00f3rias bal\u00edsticas com maior rapidez e precis\u00e3o, o ENIAC era capaz de realizar milhares de opera\u00e7\u00f5es por segundo, algo revolucion\u00e1rio para a \u00e9poca. Seu uso ajudou a acelerar c\u00e1lculos complexos que antes levavam dias e at\u00e9 semanas, refor\u00e7ando o papel da tecnologia no planejamento e na execu\u00e7\u00e3o de opera\u00e7\u00f5es militares. Esse pioneirismo abriu caminho para o desenvolvimento de computadores cada vez mais avan\u00e7ados e para o uso estrat\u00e9gico da computa\u00e7\u00e3o pelos militares.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A \u201cGuerra Digital\u201d: Como a IA \u201cmudou\u201d radicalmente, a \u201cforma\u201d das Guerras atuais (II)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com o avan\u00e7o da IA, esse movimento ganhou velocidade, transformando o campo de batalha e a opera\u00e7\u00e3o dos centros de comando e controle dos \u201coponentes\u201d. O uso militar da IA \u00e9 hoje um dos pilares das doutrinas de defesa das m\u00e9dias e grandes pot\u00eancias. Entretanto, como colocado acima, sua trajet\u00f3ria tamb\u00e9m, come\u00e7ou h\u00e1 d\u00e9cadas. Os primeiros experimentos com IA para uso militar datam do per\u00edodo da \u201cGuerra Fria\u201d. Nos anos 1960 e 1970, Estados Unidos e Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica investiram muito tempo e dinheiro, na cria\u00e7\u00e3o de \u201csistemas de comando e controle\u201d baseados em algoritmos simples, com o objetivo de gerenciar informa\u00e7\u00f5es de radar, prever trajet\u00f3rias de m\u00edsseis e otimizar a log\u00edstica de seus ex\u00e9rcitos e for\u00e7as a\u00e9reas. Na d\u00e9cada de 1980, o desenvolvimento de \u201csistemas especialistas\u201d (tipo de&nbsp;<em>software<\/em>&nbsp;que simula a tomada de decis\u00e3o por humanos) come\u00e7aram a ser aplicados na \u201cdefesa a\u00e9rea e em simula\u00e7\u00f5es de combate\u201d. Nos anos 1990, a IA passou a ser utilizada pelos militares, na \u201can\u00e1lise de imagens de sat\u00e9lite e de fotografias tiradas por aeronaves de reconhecimento\u201d; e em sistemas de defesa antia\u00e9rea, como o sistema antim\u00edssil israelense \u201c<em>Iron Dome<\/em>\u201d (Domo de Ferro), que emprega IA para detectar e interceptar, m\u00edsseis e foguetes com rapidez e alta precis\u00e3o. Outra utiliza\u00e7\u00e3o que se \u201cpopularizou\u201d foi no \u201cplanejamento log\u00edstico\u201d, onde a IA otimiza rotas de suprimentos e o posicionamento de tropas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A \u201cGuerra Digital\u201d: Como a IA \u201cmudou\u201d radicalmente, a \u201cforma\u201d das Guerras atuais (III)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio deste s\u00e9culo, as guerras no Iraque e no Afeganist\u00e3o, \u201cimpulsionaram\u201d o uso de drones e rob\u00f4s com autonomia limitada, usados principalmente para reconhecimento e limpeza de campos minados (rob\u00f4s terrestres). No presente, estamos vendo a utiliza\u00e7\u00e3o crescente de \u201cdrones armados para ataques de precis\u00e3o (com IA ajudando a selecionar alvos e reduzir danos colaterais)\u201d, por v\u00e1rios pa\u00edses dentre eles, os Estados Unidos e Israel. Com a tecnologia avan\u00e7ando ainda mais, estes dois pa\u00edses, mais a China, a Ucrania e a R\u00fassia, desenvolveram\/aprimoraram \u201cenxames de drones\u201d, controlados por IA, capazes de operar \u201ccoletivamente\u201d com uma m\u00ednima supervis\u00e3o humana. J\u00e1 na chamada \u201cGuerra Cibern\u00e9tica\u201d (no \u201cambiente\u201d da Internet), a IA \u00e9 usada para detectar e neutralizar, amea\u00e7as digitais em redes militares ou civis, em tempo real, bem como fazer ataques. Como por exemplo, o grande ataque cibern\u00e9tico da \u00faltima ter\u00e7a-feira (17 de junho), ao Banco&nbsp;<em>Serah<\/em>, ligado ao governo do Ir\u00e3, que paralisou totalmente as opera\u00e7\u00f5es do banco. Mostrando claramente, a incapacidade dos iranianos em proteger suas empresas e institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas deste tipo de opera\u00e7\u00e3o. Independente dos pa\u00edses que est\u00e3o usando IA no campo de batalha, o avan\u00e7o dessa tecnologia de forma desigual, pode aumentar a instabilidade entre as na\u00e7\u00f5es. Claro que no passado, outras \u201ctecnologias b\u00e9licas\u201d criaram essa instabilidade, mas n\u00e3o da forma veloz como estamos vendo hoje.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A \u201cGuerra Digital\u201d: Como a IA \u201cmudou\u201d radicalmente, a \u201cforma\u201d das Guerras atuais (IV)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Essa corrida por \u201csuperioridade tecnol\u00f3gica militar no campo da IA\u201d est\u00e1 em pleno curso e o futuro aponta para o crescimento exponencial de sistemas militares aut\u00f4nomos, com \u201ctomada de decis\u00e3o algor\u00edtmica\u201d em tempo real e o uso de IA para coordena\u00e7\u00e3o entre os dom\u00ednios (terra, mar, ar, espa\u00e7o e ciberespa\u00e7o) do campo de batalha. Neste momento, existe consenso entre analistas de que estamos na era do \u201claborat\u00f3rio de uso de IA nas guerras, em tempo real\u201d. O conflito na Ucr\u00e2nia tem mostrado que a \u201cautonomiza\u00e7\u00e3o total\u201d (onde o exemplo de \u201cenxames de drones interconectados, realizando miss\u00f5es coordenadas sem interven\u00e7\u00e3o humana direta\u201d, \u00e9 o ponto culminante) \u00e9 uma realidade.&nbsp; Nos \u00faltimos dias no mais recente confronto no oriente m\u00e9dio, as For\u00e7as de Defesa de Israel, vem demonstrando estar na vanguarda do uso de IA \u201cem combate\u201d, incluindo a \u201csele\u00e7\u00e3o de alvos priorit\u00e1rios\u201d. Esse tema \u00e9 t\u00e3o importante, que no m\u00eas de janeiro passado (segundo informa\u00e7\u00f5es do \u201c<em>defensenews.com\u201d,&nbsp;<\/em>Portal da Internet especializado em temas militares), o Minist\u00e9rio da Defesa de Israel criou a \u201c<em>AI and Autonomy Administration\u201d<\/em>&nbsp;(em tradu\u00e7\u00e3o livre: \u201cAdministra\u00e7\u00e3o de IA e Autonomia\u201d), \u00f3rg\u00e3o com o objetivo de financiar\/unir\/incentivar as FDI,&nbsp;<em>Startups<\/em>, academia e ind\u00fastria israelense, em projetos de IA, para o segmento de defesa. A medida visa manter a vantagem operacional que Israel tem no momento, na \u201cguerra digital\u201d, onde sistemas aut\u00f4nomos, vigil\u00e2ncia inteligente e IA ofensiva\/defensiva, se tornaram imprescind\u00edveis para se travar as \u201cGuerras Digitais do S\u00e9culo XXI\u201d. Tudo leva a crer que este \u201cmodelo\u201d israelense \u201ctende a inspirar\u201d outras for\u00e7as armadas, pelo mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por Alexandre Moura &#8211; replica do post<br>Publicado em 19 de junho de 2025 \u00e0s 8:15<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos dois principais conflitos atuais, a IA (Intelig\u00eancia Artificial) deixou de ser \u201cmero recurso experimental\u201d para se tornar um elemento central nas opera\u00e7\u00f5es militares, especialmente por aumentar e muito, a \u201cvelocidade\u201d na tomada de decis\u00f5es, fator primordial para o sucesso de uma opera\u00e7\u00e3o militar. 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